Reflexões

Detalhes da infância que despertam a maturidade

Quando somos crianças, normalmente damos atenção a algumas coisas, em nossos momentos secretos. Ali, em silêncio, com nossas fantasias e imaginações, vemos um avião numa folha de árvore, uma espada num galho, mas também conseguimos ver e sentir a delicadeza das pétalas de uma flor e, se encantar com isso.

Compreender essa beleza, lá no inicio de nossa caminhada nessa experiência humana em que nos encontramos, faz toda a diferença. As vezes, alguns de nós procuramos nesses lugares secretos, entre matas, casas na árvore, até naquele esconderijo atrás do campinho de futebol, ou numa área da escola que sabemos que quase ninguém vai até ali; nossa paz, nosso canto, nosso momento de reflexão.

Hoje, enquanto adultos, parece tão raro encontrar um motivo para nos concentrar, que pagamos por terapias alternativas que nos incentivam (ou obrigam, indiretamente) a meditar, apreciar esses detalhes, mesmo quando percebemos que enquanto crianças, sabíamos bem como fazer isso e de maneira gratuita.

Se em algum momento de nossas vidas, acreditamos que somos insuficientes, nos desgastamos tentando nos reafirmar, nos provar, nos fazer merecedores de aplausos, significa irrefutavelmente que em alguma esquina, perdemos a criança inspiradora que havia em nós.

Assim, tropeçando em nossas lamúrias, não conseguimos mais compreender a textura da pétala de uma flor, tal como em nosso momento de descoberta, tudo parecia incrível, novo, sensível, belo e aprazível, mesmo quando essas palavras eram por nós, indizíveis.

Mas, tal como aquela que pessoa que é responsável por uma criança, que percebe que ele ou ela não está por perto e desperta no adulto uma imediata vontade de procurar, para ter certeza de que está bem, seguro, de que não atravessou a rua, ou que não se perdeu no mercado, talvez até que não tenha colocado algo perigoso na boca; assim, somos nós, quando percebemos que perdemos nossa criança interna, de vista, mas ainda dá tempo de correr e assegurar de que está tudo bem.

Onde está sua criança interna? Ela está bem?

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